
6 de maio de 2005
Ressuscitando novamente.
Dessa vez espero não abandonar o projeto de jogar fora essas gorduras.Ando me sentindo super mal por estar tão gorda, fico achando que não arrumarei emprego, por exemplo, por causa da aparência. Nós estamos num país em que aparência é o fator que as pessoas pensam ser uma qualidade imprescindível, deixando a ginástica cerebral de lado. Eu tenho exercitado razoavelmente o cérebro, mas o resto está uma bagaça, e eu até fico com medo do meu namorado não gostar mais de mim (não que isso vá ser o fim do mundo) e não me deseje mais. E também fico achando o fato de treparmos com pouca freqüência culpa minha também, porque não me sinto e obviamente não sou uma Angelina Jolie (mas não iria achar mal olhar ela no meu espelho).
E eu realmente quero poder fazer compras, experimentar calças lindas e baratinhas de lojas populares que nunca encontro no meu tamanho sem suar no provador, e não quero mais ter vontade de chorar, decepcionada, porque nem o 44 serve mais (há bastante tempo, na realidade) e não fazem 46 e 48 naquele modelo. Claro que tem gente que nem emagrecendo terá uma aparência agradável, o que não é o meu caso, e eu tenho que usar esse trunfo ao meu favor.
Tenho que parar de comer açúcar, diminuir os carboidratos e me exercitar, porque até isso eu parei. E em janeiro parei de tomar meu anti-depressivo, então ter momentos de crise são normais, e eu como compulsivamente quando estou nervosa e não é essa a válvula de escape mais saudável pra mim. Talvez sair pra fotografar e espairecer, daqui pra frente.
Vou contar com o exemplo de outras garotas que venceram a guerra contra as gorduras, que há várias por aqui na internet. Acho que ver casos parecidos sempre serve como estímulo e influência benéfica.
Aliás, influência é outra coisa determinante. Viver com pessoas negativas ao nosso redor nos suga energia e se bobearmos seremos perdedoras como essas tais criaturas vampiras e eu realmente não gosto nada disso. Eu tenho uma tendência otimista e positiva para a vida e as coisas que eu sonho pra mim. Mas muitas vezes eu deixo de lado e desisto facilmente de tudo isso, só porque escuto palavras negativas. É, trata-se do meu pai. Ele está sempre criticando, atrapalhando e me prejudicando, mesmo de boca fechada, só com a presença dele e a postura negativa que ele tem diante de tudo. Muitas vezes me vejo repetindo esses gestos que tanto abomino e nada tem a ver comigo. E fico muito, muito chateada.
Não dá certo, viver perto de alguém péssimo nos afeta bastante. E haja estrutura e força pra não se deixar abalar. Nem sempre eu consigo.
O Snarf, pelo contrário, tem sido a coisa mais fantástica e benéfica da minha vida. Eu não achei que fosse ter meu gatinho assim tão rapidamente. Achei que demoraria o mesmo tempo que eu nacessitaria pra sair daqui, porque meu pai, como todo velho implicante, não gosta(va) de gatos. E o Snarf é a revolução. É alegria pura, é minha esperança, minha fofura, meu tesouro. Essa é a coisa boa na minha vida esse ano.
E agora acho que estou em mais um daqueles momentos de rever a situação, chorar bastante e tentar recomeçar tudo outra vez. E tentar ignorar a presença daquilo que me faz mal, já que não posso simplesmente queimar ou atirar no lixo. Espero fazer disso aqui um bom auxílio nessa batalha que venho adiando desde criança. Preciso me amar, gostar de me ver no espelho, ter orgulho da minha bunda e não medo daquele mostro de gordura com celulite que se pendurou no meu popô. Preciso me amar mais, me respeitar, me admirar mais. E me cuidar. Sim, me cuidar bastante, muito mais do que eu tenho feito nesses anos todos, que foram sempre migalhas do que eu realmente mereço, e tudo por causa dessa maldita cultura de falta de amor próprio que paira nessa casa. Minha mãe nunca foi uma figura presente, e ela sempre teve seus limites no quesito cuidados estéticos por pura falta de noção e grana mesmo. E eu também não tenho dinheiro, mas não vou morrer por isso, já que é algo que se arruma de uma forma ou de outra. Meu pai é a imagem exata do desleixo, a retrato da feiúra, da falta de amor próprio. Anda sempre com as mesmas roupas que foram compradas por sua falecida mãe há uns 40 anos atrás. E ainda usa todas porque acha que estão muito boas, embora remendadas infinitas vezes. E até não tomar banho diariamente se tornou corriqueiro pra ele, como se fosse uma criança de 7 anos, que a mãe tem que obrigar a ir pro chuveiro. E eu não tenho nenhuma paciência ou tolerância pra essas coisas e sofro com isso, odeio profundamente esse desleixo e essa merda de cabeça oca que o faz pensar que isso é bom e normal. E por isso ele acha que eu tenho que ser escrota como ele também.
Eu cansei de ser escrota. Cansei de conviver com minhas coxas enormes que não entram em calças da Marisa e a depilação feita quase que anualmente apenas, porque ele não me dá nem 10 reais quando eu raramente me humilho a ir pedir. Eu me maltrato com isso. Não gosto de ir na manicure somente duas, três vezes ao ano. Não é assim que eu deveria ser, eu sou mulher, poxa! Cansei de ser sempre a horrorosa de todos os lugares. Porque sempre tem uma coisa feinha na escola, um monstrinho na faculdade, uma ogrinha e uma mulher macaca no metrô, no ônibus, na quitanda. E cansei de ser eu essa coisa bizarra. Eu não sou assim por dentro, por que tenho que ser por fora? Cacete. Cansei disso tudo.
Quero que morra quem conspirar contra minha beleza. Eu gosto muito do pensamento dos gregos antigos, que tinham o ideal de corpo e mente sãos, não apenas o exercício do corpo e não apenas o da mente, mas sim, um corpo em equilíbrio com a união dessas duas qualidades essenciais. E eu acho que só me falta isso mesmo, perseguir meu lugar ao sol "olímpico", praticar alguma coisa que me dê prazer, me deixe feliz, me exercitar e fazer mais sexo também, porque eu mereço.
Quando somos crianças adoramos correr e pular o tempo todo e agora não agüentamos fazer isso por nem 5 minutos. Ridículo, hein?
Pois bem, eu engordei muito este ano já, uns 6 quilos ou mais pelo menos. Depois da páscoa e após eu parar de tomar o remédio também. E eu não fumo, portanto comer é a compulsão quando estou ansiosa ou nervosa por alguma coisa. E tenho comido demais realmente, muitas porcarias, açúcar e mil carboidratos.
E sei que não é isso o que preciso. E justamente porque eu sei disso que eu teria que parar com isso mais cedo ou mais tarde.
E vai ter que ser agora, porque não me resta muito tempo mais, eu já tenho 24 anos, estou praticamente uma anciã. Uma anciã precisa estar já enxuta e fazendo suas atividades rotineiras sem precisar perder tempo com esses dramas e crises existenciais. Pois é a hora e a vez da anciã FITTING IN HER PANTS.
E diga amém. Amém.
E eu acho que me empolguei.
E portanto, eu já coloquei logo alí no topo meu trocinho que mostra quantos quilos eu tenho, meu auge (93kg) e quantos eu devo ter (65kg), que é pra ajudar a ficar face-to-face com a realidade obesa e gordurosa em que me atolei.
E vou tentar me pesar uma vez por semana, que é pra não ficar muito neurótica, senão eu fico me pesando de 5 em 5 minutos, porque me conheço. Então a pesagem de hoje foi bem assustadora, e tenho muita vergonha de dizer, mas vou dizer porque preciso dizer e encarar essa coisa horrível que me tornei. Estou com 91.9 quilos hoje. Muito feio, muito feio. Mas vou melhorar. Prometo pra minha calça jeans bonita da Marisa que comprei pela internet há meses e não me serve (me deixando frustradíssima).
Pois a meta é a calça jeans fechando sem ter que providenciar vácuo. Glória, glória, aleluia. Vai servir, vou entrar nela, vou emagrecer. Ponto final.
Marcadores: cocô no maiô, fat, thoughts, weight
0 Comments:
Postar um comentário
<< Home